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A Oca e as Artes
A Diretoria da Associação e seus fundadores foram Edemar Cid Ferreira e Pedro Paulo Sena Madureira. A curadoria geral ficou a cargo do Professor Nelson Aguilar e a coordenação Geral com Emilio Kalil. A intenção da exposição era, inicialmente, de se fazer um retrato cultural do país ao longo dos últimos séculos. Ocorre que, com o desenvolvimento dos trabalhos, diversos professores universitários, curadores e pesquisadores foram se juntando ao projeto, que acabou por se transformar na maior exposição já realizada no país e uma das mais significativas do mundo. A idéia inicial era de ocupar o prédio da Fundação Bienal de São Paulo com seus 30.000 metros quadrados. Contudo, a fim de abrigar todo o conjunto, outros espaços do Parque Ibirapuera foram utilizados.
Obteve-se autorização do Governo do Estado de São Paulo para a ocupação do prédio Manoel da Nóbrega, antiga sede da Prefeitura de São Paulo. Como o edifício estava fechado desde a mudança da sede para o Parque da Luz, diversas obras de restauro foram realizadas, assim como a instalação de ar condicionado, reforma das coberturas etc. Também foi construído um espaço/teatro temporário, com auditório para 300 pessoas e um trabalho cênico sobre as condições pré-históricas do Brasil por meio do emprego de equipamentos alta tecnologia. Por fim, negociou-se com o Museu da Aeronáutica e o Museu do Folclore o espaço denominado Lucas Nogueira Garcez, que estava fechado ao público havia 14 anos. Graças ao acordo firmado com o Museu da Aeronáutica, um galpão de três mil metros quadrados foi construído em terreno cedido pela Prefeitura. Reformou-se a casa dos Bandeirantes na marginal do Rio Pinheiros para receber o acervo do Museu do Folclore. Todas essas reformas e construções foram realizadas pela Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais e financiadas pela iniciativa privada. Ocorre que o prédio que abrigava esses museus estava fechado havia muitos anos e encontrava-se em péssimo estado. Exigia não apenas uma simples reforma, mas uma intervenção profunda em suas estruturas, de modo a manter a integridade original do Edifício, de autoria do renomado arquiteto Oscar Niemeyer. Posteriormente, este edifício foi denominado de Oca, dada sua semelhança com moradias indígenas. O arquiteto Niemeyer foi convidado para ajudar nas transformações internas. Ele recomendou a coordenação das obras ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que já havia trabalhado na 22ª Bienal, presidida por Edemar. O prédio foi dotado de um sistema de ar condicionado de última geração, encomendado a uma empresa americana que fez os desenhos das máquinas necessárias. Uma piscina subterrânea foi construída ao lado da OCA, com cerca de oito metros de profundidade por 10 metros da cada lado. Também foram instaladas máquinas para refrigerar a água. Como resultado, foi construído o primeiro espaço refrigerado para exposições de grande porte na América Latina. Dois elevadores também foram instalados em substituição às escadas rolantes. Novos banheiros foram construídos e todo o prédio foi restaurado.
O teto mereceu um cuidado especial, pois ali havia uma aldeia de cupins que ameaçava a integridade do edifício. Assim, também foi reformado e colocado em atividade o anfiteatro no subsolo. Todas as rampas de acesso foram refeitas e foram colocados gradis de segurança com luzes no caminho. Uma nova rede elétrica foi implantada, com toda a iluminação, acabamentos, novas luminárias e um sistema que permite a alteração das luzes. Assim, também foram construídos o sistema hidráulico, a cobertura interna e externa e o jardim periférico. Ao final, com um investimento de U$ 9 milhões, a BrasilConnects, com apoio de outras instituições, colocou em uso o mais importante espaço para exposições da América Latina. A Oca é um local para abrigar exposições temporárias. Foi com essa finalidade que o arquiteto Oscar Niemeyer a idealizou e desenhou. Toda a reforma comandada pelo premiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha foi direcionada neste sentido: um espaço para grandes exposições. A primeira exposição a ocupar esse espaço foi a Mostra do Redescobrimento, que abrigou módulos de arte indígena e arqueologia. Depois, as seguintes exposições seguiram o mesmo caminho: 500 anos de Arte Russa, feita em conjunto com o Russian State Museum; Os tesouros da Cidade Proibida e os Guerreiros de Xi’an; Parade, uma mostra das principais obras do Museu de Arte Contemporânea de Paris, o centro George Pompideau; Picasso, em conjunto com o Museu Picasso de Paris; Splash – as obras do Museu Tate Gallery de Londres; Fashion-Passion, com a exposição sobre a história da alta costura mundial. Essas foram as grandes exposições realizadas de 2000 a 2004. Em janeiro de 2005, Edemar Cid Ferreira devolveu à Prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, a Oca, com um resumo das atividades realizadas e informando que, dada a intervenção no Banco Santos, Edemar não poderia temporariamente se dedicar a essa atividade.
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